Espanhóis conheceram experiência paraibana na caprinocultura e pólo de calçados

Francis Oliveira

A experiência da Paraíba na criação e desenvolvimento dos rebanhos de ovinos e caprinos foi apresentada a uma comitiva de empresários, técnicos e gestores públicos espanhóis, nesta terça-feira (10), em Campina Grande. Desde ontem, o grupo realiza uma série de visitas a estações de projetos experimentais, propriedades rurais e centros de produção nas regiões do Cariri paraibano e em Campina. A vinda da comitiva inaugura a primeira aproximação entre os dois países (Brasil e Espanha), em especial com a Paraíba, após a realização de duas missões técnicas ao país europeu, para organização da nossa base produtiva com vistas ao alcance e destaque tanto no mercado interno quanto no mercado externo.

O grupo saiu com destino ao município São João do Cariri, para conhecer a estação experimental do Centro de Ciências Agrárias da região, desenvolvido pela Emepa. O centro promove ações de pesquisa na reprodução de rebanhos de raças nativas, como também, sistematiza um plano de produção para pequenos agricultores. Em seguida, se dirigiram à Monteiro e lá conheceram de perto a realidade de cultivo nos rebanhos por pequenos e grandes produtores. Na Fazenda Rancho Alegre, os espanhóis entenderam como produtores paraibanos vêm fazendo trabalho de reprodução animal, com o processo de inseminação e seleção de rebanhos e o uso de alimentação especial. A fazenda também é um dos pólos de abate e aproveitamento da carne de caprinos. Em seguida, partiram para uma pequena propriedade rural da região, onde são produzidos 12 litros de leite caprino por dia.

Para muitos dos visitantes, esses exemplos já dão uma visão mais estruturada de nossas atividades. Rafael Bolivar, representante do Ministério do Meio Ambiente, Rural e da Marinha Espanhola, destaca o caráter de aprendizagem que a visita proporciona aos atores locais e agentes de desenvolvimento envolvidos.

“A visita foi uma aprendizagem para conhecer a realidade da Paraíba nas áreas de caprino e ovino, para podermos estudar a maneira mais adequada de transferência de tecnologia da Espanha para o Brasil”, declarou.

Ele considera a visita técnica como satisfatória ao Nordeste, particularmente a Paraíba, que há muito vem demonstrando interesse nesse tipo de cooperação. No entanto, salientou que é preciso haver mais ações, principalmente aquelas de caráter básico, como registro das propriedades rurais e um sistema adequado de identificação animal, para poder iniciar um programa de melhoria genética de manejo e produção. “É preciso desenvolver ações conjuntas e associativas onde possa-se aparecer novas idéias e análises para agregar valor aos produtos e fortalecer o mercado local e nacional, - priorizando aspectos ambientais e de produção”, concluiu.

Visita ao INSA e CTCC

A comitiva formada por espanhóis e paraibanos visitou também as novas instalações do Instituto Nacional do Semi-Árido (INSA) e o Centro de Couro e Calçados Albano Franco (CTCC) em Campina Grande. Na visita puderam conhecer as propostas das instituições para o desenvolvimento sustentável da ovinocaprinocultura na região do semi-árido e principalmente suas linhas de ação.

Antônio Felinto, gerente de Agronegócios do Sebrae Paraíba, comemorou a aproximação realizada com essa visita entre Brasil e Espanha.

“Durante essa visita eles puderam conhecer nosso tratamento na genética, na produção familiar de leite e dos projetos desenvolvidos por instituições parceiras. Isso facilita nosso objetivo de ajuda na pesquisa de uma melhor base produtiva para a realidade de nossos produtores, e faz com que surjam novas potencialidades que serão apresentadas no Fórum de hoje à noite”, argumentou.

O ‘I° Fórum de Cooperação Técnica Brasil-Espanha para Inovação e Sustentabilidade da Ovinocaprinocultura’ aberto na noite de hoje, 10, em João Pessoa, demarca maior aproximação entre os dois países e de lá sairão ações prontas para serem executadas em médio prazo junto ao setor na Região Nordeste. O evento tem a realização do Sebrae Paraíba e Governo da Espanha, e conta com o apoio do Insa, Embrapa, Emepa, Faepa e Senar.