Sabonete que vem do leite de cabra transforma a realidade de mulheres de Maravilha

A comercialização do leite de cabra é uma atividade geradora de renda para as famílias sertanejas. Em Maravilha, município encravado no Sertão alagoano a 250 km de Maceió, o leite de cabra passou a ser mais do que uma alternativa - matéria-prima para a fabricação de sabonetes pela Associação de Produção Artesanal de Cosméticos de Maravilha, que tem como nome fantasia Natucapri.

Através de um processo artesanal, o leite transforma-se em sabonetes aromatizados – maracujá, canela, erva-doce, aveia e mel, camomila, e os medicinais – aroeira, babosa e juá, e transforma a vida de 22 mulheres que hoje fazem parte do grupo.

Incentivadas pelo governo do Estado, através do Arranjo Produtivo Local de Ovinocaprinocultura, a associação hoje é o orgulho das associadas. “Desde que esta associação foi fundada nossa vida mudou. Somos pessoas simples, na maioria agricultoras, mas hoje adquirimos um conhecimento que nunca pensávamos em ter”, explica a presidente da associação, Angelina Barreiros dos Santos.

“O governo do Estado, através do APL Ovinocaprino, busca alternativas para estas comunidades do Sertão e a produção de sabonetes de leite de cabra foi uma dessas atividades, que consolidou esta produção na cidade de Maravilha”, explica o gestor do APL Ovinocaprinocultura, Reginaldo Guedes. Ele reforça que é uma forma de garantir emprego e renda para estas pessoas.

A parceria do governo estadual com o Sebrae/AL garantiu a capacitação do grupo. Os cursos disponibilizaram técnicas para a produção como também a construção da marca. “O sabonete de cabra já era um produto diferenciado, mas precisava ter alguns elementos que remetessem à cultura local, fazer com que as pessoas percebessem que o sabonete era de Maravilha”, explicou a consultora Sônia Onuki.

Produção e distribuição

Através das capacitações, as mulheres aperfeiçoaram as técnicas e hoje conseguem produzir cerca de 300 sabonetes mensais. Os produtos são vendidos especificamente em feiras realizadas no Estado e em outras cidades do país, mas as associadas preparam-se para a venda em pontos comerciais.

Sônia explica que a associação está buscando a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que deverá refletir em um aumento da produção, uma vez que passarão a comercializar em estabelecimentos.

Produção quase artesanal destaca trabalho das mulheres de Maravilha

“Através da certificação da Anvisa estes produtos poderão ser comercializados em estabelecimentos, como farmácias”, explica. Ela ressalta que uma consultora de mercado do Sebrae está realizando a inserção dos produtos em Maceió.

O Sebrae e o governo do Estado fazem o acompanhamento da equipe constantemente. Os frutos das reuniões começam a ser percebidos através de alguns projetos, como o “Presentes Corporativos”, onde a Natucapri vai fazer parte de um catálogo de produtos oferecidos como alternativa de presentes para empresas para este final de ano.

“Serão três tipos de kits voltados para bares, restaurantes, hotéis e pousadas”, explicou a design Maria Amélia, que discutiu com o grupo os tipos de embalagem que serão utilizadas. O acompanhamento permite ainda a fabricação de outros produtos, como explica Reginaldo. “A Natucapri está se preparando para produzir sais de banho e condicionar à base de leite de cabra”, frisou o gestor.

A associação está passando por reformas que vão garantir a certificação da Anvisa e melhorar as condições da produção. A reforma está sendo custeada pelos parceiros, com contrapartida da associação.

A renda garante ainda parte do salário do químico responsável pelos produtos e uma renda para as associadas, que gira em torno de R$ 40. “Este dinheiro que recebemos aqui varia, mas a média é uns R$ 40. Para nós é uma benção porque nós não ganhávamos nada. O que nós almejamos agora é que cada uma consiga tirar pelo menos um salário mínimo”, enfatiza Angelina.

Além de mudar a vida das mulheres, a produção está mudando também a vida da população, que atualmente cria caprinos para revender o leite à associação. “Adquirimos o leite dos criadores aqui da região, que já garante uma renda para eles. Muitas pessoas nos falam que vão criar cabras para vender o leite à gente. Então nós também estamos contribuindo com o crescimento da nossa comunidade. Tenho certeza que nós vamos vencer com a fabricação dos nossos produtos e a nossa força de vontade. Porque nós não vamos desistir e vamos chegar lá”, ressalta a presidente. Quando observamos a história de vida dessas mulheres, percebemos que já chegaram.

por Agência Alagoas