Encontro discute linhas de crédito e potencial do setor da caprinovinocultura 

Banco do Brasil disponibiliza crédito e produtores paraibanos podem se inserir no mercado internacional do leite de cabra

Dirigentes do Banco do Brasil e do Programa do Leite se reuniram nesta quarta, 17, com o Sebrae Paraíba e produtores rurais para discutir as linhas de crédito disponíveis e o futuro do setor da caprinovinocultura. A intenção era mostrar o mercado existente, principalmente para o leite de cabra e as facilidades existentes para quem quer iniciar um negócio no setor.

Com o Programa do Leite do Governo do Estado, a Paraíba produz hoje um total de 120 mil litros de leite por dia - somando o da vaca com o da cabra -, atendendo famílias carentes de 223 municípios e gerando emprego e renda para produtores de 111 pequenas cidades. “O crescimento de beneficiários produtores foi de 72,29% desde o início do Programa e nossa intenção é fazer dele o carro chefe da atividade agropastoril na Paraíba”, relatou Aldomário Rodrigues, Coordenador do Programa.

Sendo o Cariri paraibano uma região com 60% de sua área em processo acelerado de desertificação, há dez anos o quadro migratório mostrava uma forte emigração da região e enquanto o PIB do Estado crescia, a atividade agropecuária decrescia, mostrando o empobrecimento do setor. Mas uma pesquisa realizada em 2009, pela Universidade de Campinas (Unicamp), retrata uma inversão radical neste quadro, pois o produtor deixou de emigrar a partir do momento em que começou a enxergar a oportunidade de ter uma renda própria a partir da produção leiteira e a possibilidade de crescimento.

“O segredo foi encontrar uma atividade sustentável para aquele meio-ambiente, não adianta tentar plantar em solo semi-árido, tivemos que pensar como produzir riqueza na região e incentivar a economia local”, falou o Superintendente do Sebrae Paraíba, Júlio Rafael. Durante o encontro, foi mostrado que com o mesmo montante que se cria uma vaca de 300kg, é possível criar de 8 a 10 cabras e estas produzem mais leite que uma única vaca, sem mencionar que o litro de leite de cabra é vendido por um preço maior.

De acordo com Rodriqgues, o Programa do Leite está reerguendo a atividade agropastoril na Paraíba. Mas para começar a produzir, é necessário que se tenha condições de criar o rebanho e retirar o leite de forma higiênica, e para conseguir essas condições, muitos produtores rurais recorrem aos empréstimos e outras formas de crédito. “Com esta finalidade, disponibilizamos várias linhas de crédito, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), por exemplo, financia projetos individuais ou coletivos, que gerem renda aos produtores; através dos empréstimos obtidos eles podem adquirir desde a infra-estrutura, até a ração do animal”, explicou o Gerente de Desenvolvimento Rural Sustentável do Banco do Brasil, Francisco Alves.

ADRS´s – Para apoiar os beneficiários produtores do Programa do Leite, existem 20 Agentes de Desenvolvimento Rural Sustentável, que atuam na região, visitando as propriedades e orientando os produtores quanto às questões que vão desde o uso de novos equipamentos tecnológicos e de refrigeração, até a demonstração de como a ordenha deve ser feita de forma higiênica para garantir a qualidade do leite.

A atuação desses ADRS´s é patrocinada pela Fundação Banco do Brasil, através do seu programa de políticas públicas. “Podemos enxergar os resultados da atuação desses Agentes no avanço da produção leiteira, na qualidade do leite produzido e nas novas técnicas utilizadas. É um salto qualitativo na capacitação desses produtores”, concluiu Alves.

Privatizando o trabalho – A meta agora é praticar a atividade visando o setor privado, nas diversas possibilidades da cadeia produtiva da caprinovinocultura leiteira, de corte, couros e peles, embutidos, artesanatos, entre outros. O Sebrae se reuniu em todo o Nordeste e encomendou um estudo de mercado, que identificará o que o consumidor espera do setor em cada estado, de forma que cada um possa desenvolver o que tem mais potencial.

Mesmo antes de o estudo ser concluído, Rodrigues alerta para o mercado carente de leite de cabra e o grande potencial paraibano. “Com as práticas aplicadas hoje, estamos inseridos em uma cultura do primeiro mundo, já podemos produzir visando o mercado internacional. Atualmente, os maiores produtores de leite de cabra do mundo são a França e a Rússia, mas lá as cabras só entram no cio uma vez por ano (no outono) e nós temos leite o ano inteiro, existe aí uma enorme entressafra que podemos suprir”, disse Aldomário. E ele finaliza: “A oportunidade está aí e temos que aproveitar o momento, senão ele passa. É hora de deixar de depender do Governo e partir para o setor privado”.