Caprinocultura no Nordeste será como a produção de soja no sul

Incentivos deverão alavancar ainda mais produção de leite na Paraíba para atender mercado privado

A ovinocaprinocultura deverá ser para o Nordeste o que a soja significa hoje economicamente para a região Sul. Essa é a perspectiva para o setor, na opinião de Enio Queijada de Souza, coordenador da área de Ovinos e Caprinos do Sebrae Nacional, que esteve na cidade de João Pessoa durante a reunião do Projeto Aprisco Nordeste, evento que reúne os gestores do Sebrae na região e dos gerentes do programa Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil.

“Há 40 anos, ninguém sabia que a região Sul seria transformada no segundo maior produtor e exportador de soja do mundo. Se trabalharmos de forma correta, profissionalizando o setor vamos também transformar essa cadeia produtiva de ovinos e caprinos do Nordeste em destaque mundial”, apontou.

Para Enio Queijada, é preciso atuar mais regionalmente e menos localmente a estratégia de mercado e profissionalizar mais a atividade para que o crescimento seja exponencial na região. “Além de ser uma vocação do Nordeste, a ovinocaprinocultura tem um grande mercado para ser conquistado e crédito não é problema. Muitos recursos têm sido drenados para o setor, porém, o que vejo é que precisa haver melhor orientação e maior profissionalismo na captação e também no seu uso”, revelou.

O gerente de DRS do Banco do Brasil na Paraíba, Francisco Alves dos Santos, confirma o incentivo. “Vamos fornecer crédito pelo Pronaf a mais de 600 famílias este ano e o montante pode passar de R$ 3 milhões. O BB enquanto fomentador do crédito está colado com as iniciativas de desenvolvimento da Paraíba”, revelou. 

Embora possua o sexto maior rebanho da Região Nordeste de ovinos e caprinos, a Paraíba atualmente tem a maior produção do país de leite de cabra (cerca de 20 mil litros/dia). Para o economista e diretor do Sebrae Paraíba, Luiz Alberto Amorim, a meta do programa no estado é produzir até 2012 mais de 50 mil litros/dia, um crescimento de 150%.

“Queremos que a estrutura da cadeia produtiva migre de um foco de economia de subsistência, fase atual, para uma economia sustentável. Dentro dessa visão, queremos comercializar o leite de cabra mais como alimento e menos como remédio. Esse é o grande foco de discussão dessa reunião para todos os gestores de projeto caprino e ovino Sebrae Nordeste e do DRS Nordeste”, frisou .

Segundo Luiz Alberto Amorim, o encontro em João Pessoa está servindo justamente para promover o alinhamento estratégico entre as DRS do Banco do Brasil e o Sebrae dentro da visão da estruturação da cadeia produtiva, que futuramente vai incluir o Norte de Minas. “A atividade gera algo em torno de 15 mil litros destinados para os programas governamentais e envolve quase 900 produtores de 31 municípios. Queremos que não apenas o Estado aumente a sua compra mais outros segmentos sejam envolvidos nessa cadeia como forma de expandi-lo”, lembrou.

Os números mostram que o mercado paraibano continua forte nacionalmente, mas precisa avançar ainda mais. “Temos perspectiva e uma potencialidade para o negócio. Queremos se estruturar para esse mercado, pois quando ele bater a nossa porta – e já está batendo – os produtores e fornecedores estarão mais preparados para ofertar”, lembrou.  Para se ter uma ideia do quanto à produção de leite ainda é incipiente na região, o que atualmente é produzido (20 mil litros/dia) na região do Cariri paraibano é praticamente consumido na região.   

Para Ênio Queijada, os estados nordestinos precisam deixar de lados as diferenças e romper os muros. “Temos de dialogar de forma mais intensa, trocar mais experiência e deixar de lado as vaidades estaduais. Nenhum estado é o centro do universo. Crescendo a demanda e estruturando bem a cadeia ganham todos. As pessoas dos Sebrae do Estado precisam desenvolver uma visão regional e não estadual do setor”, reforçou.

Já o chefe-geral da unidade Embrapa Caprinos e Ovinos, Evandro Holanda Júnior, classificou o encontro de Aprisco Nordeste em João Pessoa não apenas de produtivo, mas também qualitativo pelo nível de discussão e aprofundamento do projeto envolvendo todos os gestores dos estados do Nordeste e os desdobramentos futuros, com um reunião marcada para julho em Sobral, cidade do Ceará sede da unidade Embrapa Caprinos e Ovinos. “É preciso canalizar todas as competências e recursos tecnológicos fundamentais para juntos direcionarmos para esse projeto. Nesse sentido, a Embrapa Caprinos e Ovinos já é integrante nesse campo”, frisou. Ele apresentou na reunião uma oficina de trabalho sobre capacitação e inovação tecnológica, com foco no projeto Aprisco Nordeste, desenvolvido em parceria entre as  entidades.

A Embrapa, que realiza transferência de tecnologia na região Nordeste, já atua na capacitação de produtores e em projetos, com destaque para o controle de doenças, além de ações voltadas para alimentação e melhoramento genético do rebanho acompanhamento do rebanho de caprinos e ovinos e pela orientação técnica a produtores. Na última segunda-feira, os produtores de Taperoá, na região do Cariri paraibano, receberam a visita de equipe da Embrapa Caprinos e Ovinos.

Implantado desde 2002 pelo Sebrae Nacional, o Projeto Aprisco atua nos nove estados da Região Nordeste e no Distrito Federal. O objetivo do projeto é promover a sustentabilidade social e econômica da cadeia produtiva de ovinos e caprinos pelo aumento da produção e da produtividade de carne, leite, pele e seus derivados, tornando-os mais competitivos com os similares importados.

Érica Chianca
Assessora de Comunicação do Sebrae Paraíba
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