Expobahia 2009

Com apresentações que atestam a qualidade da caprinocultura baiana, criadores mostram na Expobahia, que encerra hoje à noite, no Parque de Exposições de Salvador, os resultados de investimentos em melhoramento genético que, no Estado, ultrapassam R$ 1 milhão anuais. A feira, realizada pelo governo da Bahia e organizada pela Associação dos Criadores de Cavalos Mangalarga Marchador da Bahia (ACCMMB), reúne em Salvador cerca de dois mil animais, entre equinos, caprinos e ovinos, além do gado nelore. A caprinocultura baiana é representada por cerca de 60 criadores de diversas regiões do Estado e 550 animais.

A apresentação do trabalho genético realizado nos animais é o principal objetivo da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Estado da Bahia (Accoba), cujo presidente, Almir Lins, destaca o pioneirismo da iniciativa. "É um trabalho de valorização da raça nunca feito pelos criadores baianos, que definiram como foco da exposição a apresentação e o julgamento dos animais", disse o criador. O sábado foi marcado por negócios que movimentaram cerca de R$ 300 mil, quando foram leiloados animais selecionados no evento.

"Um leilão de campeões de todas as raças", definiu Almir, ressaltando o objetivo alcançado pelos criadores: a aquisição de animais que vão acelerar a valorização genética dos seus rebanhos e o reconhecimento do trabalho realizado, com o destaque dado ao expositor e à sua propriedade. Sobre a tecnologia aplicada à caprinocultura, Almir assinala que a coleta e transferência de embriões têm permitido a seleção de melhores reprodutores e o aumento da produção no Estado.

As três centrais genéticas da Bahia - em Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus - têm garantido a seleção de animais de elite e de corte. A profissionalização dos criadores, segundo Almir, uma exigência do mercado, tem sido outro objetivo da Accoba. Não basta a produção de qualidade, é necessária a criação de uma rede de relacionamento nesse setor que vai permitir a colocação dos nossos animais em outros mercados", assinalou. O resultado desse esforço traz a Salvador não apenas os criadores da Bahia, mas de mais 15 estados brasileiros, que participarão de leilões inéditos, como de campeões de até um ano de idade.

Na feira, também estarão expostos ovinos da raça Santa Inês, que, na Bahia, fazem parte do maior rebanho do Brasil. O resultado do cruzamento do Santa Inês com os ovinos da raça Dorper, será apresentado aos criadores, destacando-se o melhoramento da reprodução da cadeia de carne, que ainda concentra a maior parte dos investimentos na Bahia. "Esse cruzamento produz animais que têm a habilidade e rusticidade do Santa Inês com o volume da carcaça do Dorper", explicou Almir, que ressalta o aumento de consumo de carne de caprinos e ovinos no Estado. "Não existe mais o cenário em que somente se consumia em feiras livres do interior. Hoje está nos melhores restaurantes", diz.

Investimento - De olho nesse filão, cresce o número de pessoas interessadas em fazer negócio com a caprinocultura. "Há quem não tenha um metro quadrado de terra e está comprando animais", afirmou. "Visualizam um bom negócio no desenvolvimento da criação de caprinos e ovinos de elite ou para o abate", observou Almir Lins.

Mas os criadores sentem, sim, os efeitos da crise financeira mundial. "O preços dos insumos aumentaram, enquanto isso não aconteceu com a produção", assinalou. "É preciso facilitar a obtenção de crédito, baixando juros", afirmou Almir.

20/04/2009 - Jornal A Tarde