Fazer ouro virar Real
Especialista em caprinos mostra mercado brasileiro como nicho pouco explorado pela caprinocultura nacional

Um animal com carne saudável, saborosa, e mercado garantido, além de leite extremamente valorizado por suas propriedades. No segundo dia da 13ª Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte 2007), como parte da programação da Sala Sebrae de quarta-feira, a palestra “Mercado de Caprinos – Leite e Carne”, ministrada por Silvio Doria de Almeida Ribeiro, diretor técnico e administrativo da Capritec, apontou as potencialidades do caprino, que hoje é um produto com consumo crescente no mercado interno.

 Durante a palestra, Ribeiro demonstrou o sistema produtivo e a venda de produtos e subprodutos do leite de cabra em vários países. Entre eles, destacou o tradicional mercado francês de queijos de cabras finos, mas apresentando informações de outros mercados mais recentes mas também muito ativos, com produção e comercialização mais avançadas que a brasileira.  Para exemplificar, citou uma marca chilena, a Chevrita, que cresce 30% anualmente há 10 anos. “Hoje estes produtos são encontrados com certa facilidade no Brasil, usufruindo do nosso mercado com muito mais eficiência do que nós. Precisamos aprender com esse exemplo, de profissionalismo na produção e na comercialização”, ressalta.

Segundo informações do especialista, o consumo per capita brasileiro de carne de cabrito está praticamente no mesmo nível de consumo que há 45 anos atrás. A explicação para tal quadro, conforme enfatizou na palestra, é hoje praticarmos o que denominou como três “P” – produção, processamento e propaganda exatamente como a 45 anos atrás.  Para exemplificar, ele citou a evolução que ocorreu com o consumo de carne de peru no mesmo período.  “Naquela época, o consumo de peru era cinco vezes maior que o de caprino e hoje é cinco vezes maior. Em grandes empresas que processam a ave, existem até 30 tipos de produtos, enquanto o caprino ainda mantém o mesmo tipo de venda. A questão é: será que esse peru é produzido da mesma forma que a 45 anos? É processado da mesma forma? As propagandas são as mesmas?”, explica Silvio Doria de Almeida Ribeiro, ressaltando que entre 95% e 97% dos cabritos ainda são abatidos clandestinamente.

O consórcio de criação entre caprinos, ovinos e bovinos também foi destaque na apresentação do especialista.  Segundo informou, um terço da criação ovina da Austrália provém de consórcio com bovinos. “Este sistema proporciona rendimento superior aos das criações separadas”, ressaltou.

Para Ribeiro, há várias oportunidades para a caprinocultura no mercado nacional. A carne do animal é magra e o leite, de fácil digestão, características buscadas pelo consumidor moderno nos produtos animais comprados nas gôndolas dos supermercados.  No entanto, o consumo ainda é baixo por que este mesmo comprador não está ciente das qualidades dos produtos e sub-produtos caprinos. “Temos o ouro nas mãos, mas precisamos transformar isso em Real. A comunicação com o consumidor final precisa melhorar”, afirmou.