Próximos eventos com a participação de Caprinos na Bahia

  • EXPOBAHIA - De 11 a 15 de abril de 2007, no parque de Exposições de Salvador.
  • 42ª EXPO MUNDO NOVO - De 11 a 15 de abril de 2007, no parque de Exposições de Mundo Novo - Ba.
  •   EXPOAGRI - Exposição agropecuária da Região de Irecê de 03 a 06 de maio de 2007, no parque de Exposições de Irecê - Ba.

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Importação deve obedecer a critérios rígidos

     Especialista da Universidade de Cornell, de Nova York, faz recomendações quanto às compras de ovinos e caprinos

    A freqüente importação de ovinos e caprinos de países da Europa e América do Norte,por criadores brasileiros, deveria ser feita sob a análise criteriosa das condições de saúde dos rebanhos visitados. A sugestão é da médica veterinária Mary Caroline Smith, da Universidade de Cornell, no Estado de Nova York, nos Estados Unidos. Com especialização no monitoramento de animais, buscando a prevenção de doen­ças infecciosas, Mary aprimorou seus conhecimentos na Inglaterra, Alemanha e França, onde observou a incidência de diversas enfermidades com grande facilidade de disseminação. A especialista fez palestra, nesta semana, no auditório do Conselho Regional de Medicina Veterinária, para pro­fissionais, estudantes e produtores.

Mary alertou para o número de males que podem estar sendo trazidos para o país por animais contaminados no Exterior com doenças ainda desconhecidas no Brasil. "Há doenças que são pouco conhecidas e com manifestação tardia, provocando a contaminação do rebanho", observou Mary. Conforme a norte-americana, antes de comprar animais de rebanhos desconhecidos, dentro ou fora do país, os criadores deveriam procurar se informar o máximo possível e examinar pessoalmente os bovinos e caprinos desejados. E enfatizou: "É preciso observar não somente os animais saudáveis, mas também aqueles que estão doentes, que podem ter transmitido algum mal àqueles que seriam comprados". Para a veterinária, a transmissão de doenças pelo fator sangüíneo é freqüente nas raças superprodutivas, que são alvo de cruzamentos genéticos sem os cuidados de sanidade ideais. Mary explicou também que uma das formas mais seguras de evitar a proliferação de doenças contagiosas nos rebanhos é a prática da quarentena.

Mary considerou, entretanto, que no Brasil este controle é feito superficialmente, não observando a possibilidade de incubação de doenças por períodos mais longos. "Nos Estados Unidos, os animais ficam em quarentena durante cinco anos, reduzindo a margem de que alguma enfermidade trazida por animais adquiridos seja infiltrada nos rebanhos sãos", disse. Conforme a professora da disciplina de virologia da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Valéria Moojen, doenças como a maedi-visna, que ataca os ovinos, e a artrite encefalite caprina, são irreversíveis até o momento e o país ainda estuda alternativas para o desenvolvimento de reagentes para diagnóstico. "A artrite encefalite caprina é uma doença que provoca o aumento das articulações dos joelhos e a queda na produção leiteira, com o vírus instalando-se nas glândulas mamárias", explicou.

A técnica ressaltou a importância da retirada de soro dos animais a serem negociados, antes da compra, para evitar a contaminação dos rebanhos. "Os criadores brasileiros são muito negligentes, e praticamente não fazem o teste de sorologia, expondo os animais de suas propriedades à incidência de diversas doenças", disse Valéria. Um levantamento feito pela Universidade, com base em 300 caprinos, apontou a contaminação de 10% dos animais.

O secretário-geral do CRMV Eduardo de Bastos Santos, reconheceu que o diagnóstico de doenças nestas espécies é um problema sério no país, pela falta de aprimoramento.
Campo & Lavoura - 04 de agosto de 1995 - 3.ª página - Fonte: http://aveper.sites.uol.com.br/