Dirigentes da Feinco 2007 e da caprino-ovinocultura nacional mostram um mercado de grande potencial

São Paulo possui hoje um plantel de 360 mil ovinos. No entanto, a atual demanda paulista exigiria que o Estado contasse em suas propriedades com mais de três milhões de matrizes. A informação é do diretor do Agrocentro, Décio Ribeiro dos Santos, passada no evento de lançamento da 4ª Feira Internacional de Caprinos e Ovinos (Feinco), realizado no dia 6 de março, no Terraço Itália, em São Paulo/SP.

No encontro, estiveram presentes também o superintendente da Associação Paulista dos Criadores de Caprinos - CAPRIPAULO, Sebastião Faria, o vice-presidente da Associação Paulista dos Criadores de Ovinos - ASPACO, Luiz Roberto Dias da Silva, o presidente do Grupo Savana, Robson Leite, empresa que será responsável pela Cozinha Interativa Feinco 2007, além do parceiro comercial da feira, Francisco Pastor, e os representantes do Sebrae São Paulo, Sílvio César Souza e do Sebrae Nacional, Ênio Queijada.

De acordo com Robson Leite, apesar de apresentar grande potencial produtivo da ovinocultura nacional, o Brasil hoje importa grande parte da carne de cordeiro que abastece o nosso mercado. “Somos importadores de países vizinhos. 80% da carne ovina que abastece o mercado é proveniente de países como o Uruguai”, explica. O presidente da Savana ressalta ainda que a produção uruguaia deverá focar o mercado europeu, diminuindo a oferta do produto no mercado brasileiro. “O preço pago pelos europeus é melhor, por isso, eles preferem vender para eles”, conta.

Assim, o consenso durante o evento esteve voltado para o fortalecimento da produção de carne ovina. Para o dirigente da ASPACO, 2007 será o ano da produção de carne ovina. “Este ano será o ano da carne. A atividade está se tornando economicamente visível”, ressalta o Luiz Roberto Dias da Silva. Com condições produtivas favoráveis e demanda reprimida pela pouca oferta, Décio Ribeiro dos Santos explica que o País carrega grande potencial destacando a nutrição, o manejo e o abate no período ideal como propulsores do crescimento da atividade. “Hoje, o consumo é de 800 gramas per capta em São Paulo, com demanda reprimida de 1,7 quilos per capta do produto”, destaca o diretor do Agrocentro.

“Em pouco tempo, o Brasil poderá ser o maior produtor de ovinos do mundo. Nosso projeto hoje é atingir em 10 anos, seis milhões de matrizes, só no Estado de São Paulo”, aponta o presidente da Savana. Algumas particularidades potencializam a produção nacional. “Nós temos a raça Santa Inês, que é única no mundo. É uma raça de carne magra, com qualidade premium mesmo em cruzamento meio sangue. É a base do nosso rebanho e só existe no Brasil”, destaca Robson Leite.

Assim como o ovino, o mercado caprino também sofre com a falta de produtos no mercado. “A caprinocultura segue os passos da ovinocultura, porém ainda não avançou tanto na formação da cadeia produtiva. É constante a falta de animal para abate. Temos competência, mas faltam investimentos no setor”, explica o representante do Sebrae de São Paulo, Silvio César Souza.

A busca pelo investidor será o foco da Feinco deste ano. “Buscamos este ano trazer o investidor paulista, aquele que nunca viu um animal, que nunca esteve na fazenda, a investir na parceria com o produtor. O investimento é muito seguro, pois o financiador estará investindo em um animal que tem mercado consumidor e não em papéis”, esclarece Décio Ribeiro dos Santos.

Em sua quarta edição, a Feinco trará 150 empresas, 30 fazendas e cerca de 4 mil animais de 20 raças diferentes. Nos 22 mil m2 reservados para o evento, 20 mil pessoas deverão acompanhar as novidades do setor. “É uma ótima oportunidade para o investidor conhecer este setor que está em alta e em franca expansão”, finaliza o diretor do Agrocentro.