Morre o primeiro caprino transgênico da América Latina

O primeiro caprino transgênico da América Latina, batizado de “Carlos”, que nasceu no Ceará, em experimento realizado através de uma parceria entre a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), morreu, juntamente com sua irmã (que não era transgênica), em setembro, após dois meses de vida. O motivo, segundo a equipe de pesquisadores, que anunciou ocorrido ontem, em coletiva de imprensa, não foi relacionado ao fato do animal ser transgênico e sim decorrente de uma nefrite.

Apesar de “Carlos´ ter morrido em setembro, e mesmo os pesquisadores sabendo do ocorrido, eles omitiram a informação quando anunciaram o resultado da pesquisa, sexta-feira, dia 20.

Conforme o professor pesquisador Vicente José de Figueiredo Freitas, responsável pelo Laboratório de Fisiologia e Controle de Reprodução da Uece, apesar do acontecimento, o experimento foi considerado um sucesso e a técnica poderá ser repetida. “Isso não tira o mérito da Uece e do resultado do projeto, já que sua morte não é relacionada ao fato dele ser transgênico, uma vez que a irmã, que não era transgênica, também chegou a falecer do mesmo motivo”.

Além disso, ainda houve o agravante dos filhotes terem nascido prematuros e não terem sido amamentados pela mãe de aluguel que os gerou, deixando-os fracos e sem resistência. A cabra barriga de aluguel morreu dois dias após o parto, em decorrência de complicações.

Conforme o professor Vicente de Freitas, a previsão é que no início de 2007, com a concessão de financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já encaminhados, novos experimentos sejam realizados e as pesquisas possam continuar.

A idéia principal do projeto é utilizar a cabra como uma farmácia viva, produzindo proteína de uso terapêutico na medicina humana através de sua glândula mamária. Trata-se da proteína Fator Estimulante das Colônias de Granulócitos, muito utilizada em tratamentos para pessoas com imunodeficiência, como por exemplo, portadores do vírus HIV, vítimas de infarto do miocárdio e pacientes com câncer submetidos a quimioterapia e radioterapia.

A intenção, conforme Vicente de Freitas, é que a cabra passe a produzir a proteína humana, extraída através do leite, com qualidade confiável e de custos mais acessíveis, já que um tratamento completo com a proteína custa cerca de US$ 2 mil, não estando disponível no País. Apenas dois laboratórios no mundo, um norte-americano e outro japonês, fabricam o medicamento.

“Num período de aproximadamente 10 anos será possível o Brasil disponibilizar e comercializar o medicamento, que terá índices bem menores de rejeição, já que será fabricado a partir da glândula mamária de um mamífero para consumo de outro mamífero”, explica o professor.

Fonte: Diário do Nordeste (24/10/06)