Pesquisa sobre Linfadenite

Agência FAPESP - A criação de ovinos e caprinos tem profundos prejuízos com a linfadenite caseosa, também conhecida como “mal do caroço”, doença para a qual não existe vacina ou tratamento.

Uma pesquisa iniciada em setembro pela Rede Genoma de Minas Gerais traz nova esperança aos produtores: o objetivo é seqüenciar o genoma da bactéria causadora da enfermidade, gerando informações para o desenvolvimento de uma vacina, de terapias e de kits de diagnóstico.

A caprinocultura e a ovinocultura têm presença importante no agronegócio brasileiro, com cerca de 16 milhões e 10,3 milhões de cabeças, respectivamente, de acordo com dados do Anuário da Pecuária Brasileira de 2005. Casos da doença foram relatados por 85% dos produtores na região Norte e 41% no Nordeste.

“Nessas regiões se concentra a maior parte dos rebanhos brasileiros, e a produção ali está ligada essencialmente à pecuária familiar. Por isso, além do impacto econômico, a doença tem um grave impacto social”, disse o coordenador do estudo, Guilherme Oliveira, pesquisador do Centro de Pesquisa René Rachou, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Belo Horizonte.

O trabalho, que reúne 12 pesquisadores, prevê o seqüenciamento completo do genoma da bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis, que causa a enfermidade.

“O projeto tem duração de dois anos, mas a previsão é que o seqüenciamento esteja pronto em um ano e meio”, contou Oliveira.

Mesmo antes da conclusão do seqüenciamento, segundo Oliveira, o projeto deverá permitir a identificação de proteínas sabidamente relacionadas à patologia. “Em pouco tempo, deveremos identificar também regiões do genoma específico dessa espécie que possibilitarão um diagnóstico molecular da doença”, disse.

Bibliotecas genéticas

Oliveira explica que o diagnóstico da linfadenite caseosa é clínico.

Observa-se,

no animal acometido, a formação de grandes caroços, geralmente na cabeça, mandíbula e pescoço. Contagiosa, a doença se propaga nos rebanhos principalmente pelo contato direto entre animais.

“O problema do diagnóstico clínico é que ele só é feito quando é tarde demais.

Quando se verifica o caroço, o animal já pode estar com a saúde comprometida, com perda de peso e do rendimento da produção de leite. A única solução, para evitar a propagação, é descartar o animal, inclusive a carcaça, não se aproveitando nem o couro”, disse.

A Rede Genoma Minas Gerais conta com laboratórios em instituições como Fiocruz, Embrapa Milho e Sorgo e as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), Ouro Preto, Uberlândia, Lavras e Viçosa.

“Contamos também com a colaboração da professora Maria Inês Ferro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, que construiu as bibliotecas genéticas”, disse Oliveira.

Para o seqüenciamento, os cientistas extraem o DNA genômico total, que é cortado em pequenos fragmentos. Os pedaços são posteriormente clonados e inseridos em bactérias. Os dados provenientes do processo constituem uma biblioteca genética. “O laboratório de Jaboticabal conta com um processo de armazenamento informatizado desses clones que nos ajuda muito”, disse o pesquisador do Centro de Pesquisa René Rachou.

Mais informações: http://rgmg.cpqrr.fiocruz.br